Higienização das mãos

As mãos constituem a principal via de transmissão de microrganismos durante a assistência prestada aos pacientes, pois a pele é um possível reservatório de diversos microrganismos, que podem se transferir de uma superfície para outra, por meio de contato direto (pele com pele), ou indireto, através do contato com objetos e superfícies contaminados.

Recentemente, o termo “lavagem das mãos” foi substituído por “higienização das mãos” devido à maior abrangência deste procedimento. O termo engloba a higienização simples, a higienização antiséptica, a fricção anti-séptica e a anti-sepsia cirúrgica das mãos, que serão abordadas mais adiante. É a medida individual mais simples e menos dispendiosa para prevenir a propagação das infecções relacionadas à assistência à saúde.




Lavagem das mãos

É a fricção manual vigorosa de toda a superfície das mãos e dos punhos, utilizando sabão/detergente neutro, seguida de enxágue em água corrente abundante.

O uso de luvas não dispensa a lavagem das mãos antes e depois de contato com o paciente ou suas mucosas, sangue, outros fluidos corpóreos, secreções ou excreções. A lavagem das mãos deve ser realizada tantas vezes quanto necessário, mesmo durante a assistência a um único paciente, sempre que envolver contato com diversos sítios corporais entre cada uma das atividades.

A lavagem e a antissepsia cirúrgica das mãos são realizadas sempre previamente aos procedimentos cirúrgicos. A primeira antissepsia das mãos do dia deve ter a duração de cinco minutos, com técnica adequada e com o uso de solução degermante (clorexidine). As lavagens posteriores devem ter duração de três minutos.

A decisão para a lavagem das mãos com o uso de antissépticos deve considerar o tipo de contato, o grau de contaminação, as condições do paciente e o procedimento a ser realizado.

O uso de antisséptico é recomendado em:
  • Realização de procedimentos invasivos;
  • Prestação de cuidados a pacientes sob precauções de contato;
  • Contato direto com feridas e/ou dispositivos invasivos, tais como cateteres e drenos.

Devem ser empregados medidas e recursos com o objetivo de incorporar a prática da lavagem das mãos em todos os níveis de assistência hospitalar.

Pontos a considerar:
  • Antes de iniciar a técnica, retirar acessórios (anéis, pulseiras, relógio), se necessário, uma vez que sob esses objetos acumulam-se microrganismos;
  • No caso de torneiras com contato manual para fechamento, sempre utilize papel-toalha;
  • O uso coletivo de toalhas de tecido é contraindicado, pois estas permanecem úmidas, favorecendo a proliferação bacteriana;
  • Deve-se evitar água muito quente ou muito fria na higienização das mãos, a fim de prevenir o ressecamento da pele.




Higienização das mãos com álcool gel

As soluções têm sido utilizadas para antissepsia há séculos. Recentemente vários estudos destacaram as qualidades do álcool, como ação antimicrobiana rápida, de largo espectro, baixo custo, fácil obtenção e com poucos efeitos indesejáveis. O álcool é um dos mais seguros e efetivos antissépticos, reduzindo rapidamente a contagem da microbiota da pele.

Tem excelente atividade germicida contra bactérias gram-positivas e negativas, incluindo patógenos multirresistentes. Apesar do álcool não possuir efeito residual, sua ação de dano microbiano permanece por várias horas.

As principais desvantagens das soluções alcoólicas são o ressecamento da pele – e por isso são formulados com emolientes – e sua inativação na presença de matéria orgânica.

Não é recomendável lavar as mãos com água e sabão após aplicar preparado alcoólico. Somente depois de repetidos usos, que deixam uma sensação de acúmulo de emolientes, é que se deve lavar com água e sabão, ou na presença de sujidade.


O produto alcoólico pode ser utilizado em todas as situações clínicas, como:
  • Antes e após contato direto com o paciente;
  • Antes de inserir cateter urinário, cateteres vasculares periféricos ou outros procedimentos invasivos;
  • Após contato com a pele íntegra do paciente (ex.: aferir pulsação ou pressão arterial e levantar o paciente);
  • Após remover as luvas.
Aplique uma quantidade suficiente do produto na palma de uma das mãos e friccione-as uma contra a outra, cobrindo toda a superfície de mãos, dedos e punhos, até que estejam secos.

Considerações:

  • Recomenda-se que após 05 (cinco) aplicações de álcool realize-se uma lavagem de mãos.
  • As mãos com qualquer sujidade DEVEM ser LAVADAS!



A higienização das mãos é procedimento básico, e um dos mais efetivos na prevenção de infecções
hospitalares, devendo ser seguido por todos os funcionários de todas as instituições de saúde.

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